sexta-feira, 29 de abril de 2016

Assim caminha adolescência

Como educador, é impossível não perceber a aflição desses meninos (as), nessa fase da vida:  é sempre difícil ser adolescente, é complexo ter 17 anos. É um momento na vida dessa juventude que tudo é muito intenso, rápido, fluido, instável, marcado o tempo todo por situações contraditórias.

Esses meninos (as) estão vivendo um turbilhão de coisas: os primeiros romances, as primeiras experiências mais afetivas e prazerosas da vida, tanta energia! Querem ser protagonista da sua própria história, ao mesmo tempo, lidar com dificuldades do tipo: finalizar o Ensino Médio, escolhas profissionais, projetos de vida, separações dos pais, desemprego na família, doenças de fundo emocional.

Essa juventude vive tudo isso, sempre em uma linha tênue entre o exercício da autonomia, da capacidade de autorregular, de fazer suas escolhas e, ao mesmo tempo, da dependência, da ajuda de alguns atores sociais, tais como: o pai, a mãe, muitas vezes do próprio professor, da orientação educacional das escolas.

Quando iniciei a minha trajetória de professor, acreditava que bastava dominar bem os conteúdos da minha disciplina para tornar-se um excelente profissional da educação; com o tempo, fui percebendo que só isso, era pouco para enfrentar uma sala aula tão heterogênea e tão marcada pela diversidade de interesses e personalidades distintas nesse ambiente chamado escola.

Nesse sentido, nós, educadores, devemos nos preocupar cada vez mais com o processo de aprendizagem dos nossos discentes, a partir da trindade: domínio conceitual, procedimental e atitudinal.

Devemos trazer na dinâmica das nossas aulas, esse olhar mais humanista, ajudando os nossos alunos a desenvolver a sua autonomia de forma kantiana, desenvolver a sua capacidade de análise crítica da realidade. Transformar os nossos estudantes em jovens capazes de promover no seu processo de aprendizagem a arte da dúvida, como elemento chave para chegar a um determinado conhecimento.

Para isso, cabe o corpo docente repensar o seu papel em sala de aula. Deixar de ser um educador bancário, apenas um transmissor de informações e passar a ser um educador que trabalhe os aspectos cognitivos e sócio emocionais dessa moçada.

Não existe uma receita para essa mudança.  O que existe é transpiração: estudar aspectos do campo da pedagogia, da psicologia, da neurociência, é planejar bem as aulas, criando situações desafiadoras, em que os discentes sintam que são protagonistas do seu processo de aprendizagem e é papel do professor ajudá-los a promover a maturidade emocional e intelectual nessa fase da vida.

Sabemos que isso não é fácil, exige do profissional da educação ressignificar, remodelar tudo aquilo que historicamente ele aprendeu na sua formação de professor e na sua própria experiência profissional. Essa mudança é necessária, pois está estampada diariamente, na sala de aula, que aulas de caráter tradicional, não respondem mais o interesse de aprender dessa juventude.


Gostaria de encerrar esse texto, citando parte de poema de um dos meus poetas preferidos: Fernando Pessoa no poema: Navegar é preciso; Viver não é preciso. 

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha.
De ser o meu corpo e a (minha alma) e a lenha desse fogo.

A minha interpretação dessa parte do poema me inspira como educador: viver não é preciso no sentido de que a vida envolve não somente o lado racional, cartesiano; a vida é também, o emocional, afetividade. Lidamos o tempo todo com as angústias, frustrações e desejos, portanto, viver não uma atividade precisa, equilibrada, reta.  


Que possamos passar na vida dos nossos alunos como pessoas sensíveis e capazes de fazer a diferença na vida desses meninos (as), entender de forma poética que o mais importante no processo educacional são as pessoas. Além disso, sempre ter essas duas perguntas como principio norteador na ação educacional: que sujeitos estamos formando?  Para qual sociedade?


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O Primeiro alargador a gente nunca esquece!





Ser pai de adolescente é viver em perigo constante. Esta semana, Samurai chegou com mais uma novidade em casa.
- Pai e mãe: quero colocar um alargador. 
 O  desejo de Samurai chegou como um vendaval!
Este pai que escreve esta crônica ficou no aperto. Sempre me considerei um pai moderno; hoje, já não estou tão convencido disso.
Minha primeira reação e discurso:
-  Não, de forma alguma, você tem apenas 14 anos.  Ainda é muito novo para tomar uma decisão dessa envergadura. (Rsrs)  Precisa amadurecer mais, antes de colocar um alargador.
Passadas  as primeiras 24 horas, depois de escutar os reclames do Samurai, o meu discurso mudou:
-  Pode, desde que me explique os motivos e me convença. Só falar que quer colocar é pouco.
Às vezes penso que ser pai é como acertar na loteria. Como é difícil sabermos  se tomamos  a decisão certa! É uma linha tênue, em  que você fica se equilibrando entre educar com discernimento ou atuar de forma autoritária com seu filho.
Como disse no início da crônica, a notícia de colocar um alargador chegou literalmente como um vendaval. Porém, passados  dois dias de um desejo louco do meu filho de  colocar aquela coisa na orelha,  e depois de toda minha veemente  argumentação, o vendaval passou... e virou brisa. Samurai não tocou mais no assunto; colocar o alargador, aparentemente, caiu no  esquecimento.
 Fico agora  esperando qual será a próxima surpresa. Ciente de  que essas surpresas serão cada vez mais constantes. Afinal de contas, é apenas o inicio da adolescência...
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sexta-feira, 30 de outubro de 2015



Celular: “meu zem, meu bem, meu mal”.
A atual geração de adolescentes está impregnada de tecnologia. Quando eu penso na indumentária desses jovens, o celular está presente para o bem ou para o mal.
Em um mundo marcado pela violência, pela intolerância, em mundo que “tudo que é sólido desmancha no ar”, uma época marcada pela incerteza, o celular acaba sendo um aliado dos pais, na medida em que pensamos que podemos acompanhar os passos dos nossos filhos.
Quanta situação pela qual já passamos em que o celular foi a salvação. Quantas vezes monitoramos os nossos filhos do trabalho através do celular. O celular, de certa forma, é o selo, é a garantia que nada vai acontecer sem o nosso consentimento. Doce ilusão! Mas agimos e pensamos dessa forma.
Por outro lado, o celular é hoje  um dos principais motivos de preocupação dos pais. Através dele, via internet, os nossos filhos têm acesso a um infinito conjunto de informações de todos os tipos possíveis, tudo muito rápido, com muitas imagens. O desafio dos pais e das escolas é educar esses adolescentes e ajudá-los nesse mundo tecnológico e virtual.
O celular é o instrumento que mais tira atenção em sala de aula. Além disso, impede,  em vários momentos, que haja diálogo familiar entre os adolescentes e seus responsáveis. Sem contar as despesas que temos que assumir, como as contas mensais, reparos necessários e trocas de aparelhos.
Nunca vi uma geração que tenha tanta curiosidade em mexer nesses aparelhos e, ao mesmo tempo, uma enorme capacidade de estraga-los. Sem contar que,  em alguns momentos, não conseguimos falar com os nossos filhos. Tensão geral na família.
Portanto, o celular é “meu zem, meu bem, meu mal”.
 Não concebemos mais viver em  um mundo sem celular, sem ele, estamos perdidos, com ele, ficamos preocupados. Nessa dialética, vamos tentando discutir uma forma mais saudável, mais responsável em lidar nesse mundo tecnológico, em que os pais, os professores são os alienígenas e os nossos filhos são os chamados nativos digitais.

 Não tem como não gerar conflito. Tê-lo  é a possibilidade de construir uma relação mais honesta e de entendimento entre pais e filhos, sem negar a tecnologia.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Uma festa de arromba

Resolvi criar este blog, após passar por uma experiência  com meu filho, que está entrando na adolescência. Sempre que citar meu filho no blog, vou chamá-lo de Samurai. Como primeiro texto, vou relatar a ida dele a uma festa no último final de semana.
Levei Samurai a uma festa  de 15 anos, em um sítio na cidade de  Igarapé, que fica relativamente próxima de BH. Fiquei dentro do carro, no estacionamento. Cochilo aqui, música acolá, até à meia noite, na virada do horário de Verão. De repente, chega Samurai na janela do carro e quase me mata de susto: " E aí, pai! Resolveu esperar..."Ave Maria, que susto! Nesse momento, ele pede  para ir embora. Percebi então,  que ele não estava se  agradando da festa.
Falei: "Vamos embora sim, mas preciso comer algo, estou morrendo de fome".
Samurai foi lá no espaço da festa e trouxe para mim um prato de tropeiro com picanha. Foi o melhor tropeiro que eu já  comi , na virada do horário de verão!
No retorno de madrugada para BH, escutei de meu filho a seguinte pérola:  "Eu e os colegas montamos na festa uma mesa para jogar truco".
Pensei comigo: "Será que não dava para fazer isto mais perto de casa?! Precisava ser em Igarapé?!"
Ando questionando aquela famosa frase de um comercial antigo da televisão: "Não basta ser pai, tem que participar!" Acho que o certo seria: "Não basta ser pai, tem que se sacrificar!"
rsrs.

Boas reflexões nesse blog!

Este blog tem a  intenção de ser um espaço de humor e reflexão, para discutir as dificuldades e as alegrias de quem tem filhos na adolescência.